AUDITORIA E CERTIFICAÇÃO ENERGÉTICA

A Auditoria Energética, conforme definida no artigo 6.º do Decreto-Lei n.º 71/2008, consiste num levantamento detalhado de todos os aspetos relacionados com o uso da energia, ou que de alguma forma contribuam para a caracterização dos fluxos energéticos.

Tem por objetivos a caracterização energética dos diferentes equipamentos e sistemas existentes numa instalação consumidora intensiva de energia (incluindo o estabelecimento de correlações entre consumos de energia e produções e cálculo dos correspondentes consumos específicos de energia e de indicadores de eficiência energética global da instalação tal como definidos no n.º 2 do artigo 7.º do Decreto-Lei n.º 71/2008) e a identificação das medidas com viabilidade técnico-económica possíveis de implementar, de modo a aumentar a eficiência energética e ou a reduzir a fatura energética associadas às atividades da instalação em questão.

A auditoria energética incidirá sobre a conceção e o estado das instalações, devendo ser recolhidos os elementos necessários à elaboração do plano de racionalização do consumo de energia, bem como à subsequente verificação do cumprimento deste.

 

A auditoria energética deverá, nomeadamente:

a) Quantificar os consumos energéticos (por instalação global e principais secções e ou equipamentos) e a sua importância no custo final do(s) produto(s);

b) Efetuar uma inspeção visual dos equipamentos e ou sistemas consumidores de energia, complementada pelas medições necessárias;

c) Esclarecer como é transformada a energia e quais os seus custos;

d) Efetuar um levantamento e caraterização detalhados dos principais equipamentos consumidores de energia, sobretudo com maior peso em termos de potência instalada, quer elétrica, quer térmica;

e) Obter diagramas de carga (DDC) elétricos dos sistemas considerados grandes consumidores de eletricidade;

f) Determinar a eficiência energética de geradores de energia térmica eventualmente existentes, pelos métodos das perdas ou direto;

g) Verificar o estado das instalações de transporte e distribuição de energia;

h) Verificar a existência do bom funcionamento dos aparelhos de controlo e regulação do equipamento de conversão e utilização de energia;

i) Realizar balanços de massa e energia aos principais equipamentos consumidores de energia térmica;

j) Determinar consumos específicos de energia durante o período de realização da auditoria, para posterior comparação com os valores médios mensais e anuais e deteção de eventuais variações sazonais;

k) Determinar o quociente entre o consumo energético total e o valor acrescentado bruto (kgep/VAB) da atividade empresarial diretamente ligada à instalação consumidora intensiva de energia, bem como, o consumo específico de energia (kgep/unidade de produção);

l) Identificar e quantificar as possíveis áreas onde as economias de energia são viáveis, como resultado das situações encontradas/anomalias detetadas e medições efetuadas;

m) Definir intervenções com viabilidade económica, conducentes ao aumento da eficiência energética e ou á redução da fatura energética;

n) Definir as linhas orientadoras para a implementação ou melhoria de um esquema operacional de Gestão de Energia.

 

A Certificação Energética permite aos potenciais proprietários conhecer o desempenho energético de uma habitação antes da sua aquisição, induzindo assim os construtores e senhorios a utilizar soluções construtivas e equipamentos de maior eficiência energética. A face mais visível do Sistema de Certificação Energética é o Certificado Energético e da Qualidade do Ar Interior, emitido por um perito qualificado para cada edifício ou fração autónoma, onde o mesmo será classificado em função do seu desempenho energético, numa escala predefinida de 9 classes (A+ a G), sendo A+ a classe mais eficiente e a G a menos eficiente. Uma fração que cumpra os mínimos exigidos pelos atuais regulamentos será enquadrada na classe energética “B -”.

Nos edifícios existentes, o certificado energético para além de indicar a classe energética, inclui também sugestões de medidas de melhoria de desempenho energético e da qualidade do ar interior, que o proprietário pode implementar para reduzir a fatura energética e/ou assegurar uma boa qualidade do ar interior.

Cada edifício tem as suas particularidades, pelo que as medidas de melhoria são sempre específicas de cada imóvel.Tendo por base os certificados já emitidos para os edifícios de habitação, é possível verificar que uma parte significativa das medidas de melhoria incide sobre aspetos como:

  • Aplicação de isolamento na envolvente: paredes, coberturas e pavimentos;
  • Substituição ou instalação de vãos em caixilharia de elevado desempenho térmico, com vidros duplos e proteções solares exteriores;
  • Aplicação de sistemas de energia renováveis, com destaque para os coletores solares para aquecimento de águas sanitárias;
  • Substituição ou instalação de caldeiras e esquentadores mais eficientes para o aquecimento de águas sanitárias e aquecimento ambiente.

Valoriza o seu imóvel!

Na perspetiva de venda ou arrendamento de um imóvel, ter um certificado energético por si só não valoriza o seu imóvel. Mas, dispor de um que seja por exemplo A+, A, ou até B, garante-lhe a si como proprietário uma maior valorização do seu imóvel, colocando-o ao preço justo de mercado. Deste modo, imóveis de semelhante configuração (tipologia, áreas e até localização) e pior desempenho energético, terão de ser necessariamente transacionados a preços inferiores.

Além disso, o comprador estará mais confiante ao saber que o imóvel que irá adquirir está de acordo com as mais modernas normas de respeito ambiental e eficiência energética, dando-lhe a si maiores probabilidades de consumar o negócio.